No nível encontrado, material não oferece risco à saúde, segundo a Tepco.
Japão ainda tenta estabilizar a usina danificada por terremoto e tsunami.
A empresa que opera a usina nuclear de Fukushima informou nesta
segunda-feira (28) que foi encontrado plutônio em vários pontos do solo
do complexo.
A Tepco acredita que o plutônio veio do combustível de um dos
reatores avariados após o terremoto seguido pelo maremoto de 11 de
março. As autoridades desde então tentam estabilizar os reatores para
evitar um acidente nuclear de grandes proporções.
Os resultados foram tirados de amostras de solo tiradas uma semana antes, segundo a Tokyo Electric Power Co (Tepco).
A empresa afirmou que, nos níveis encontrados, o material radioativo não oferece risco à saúde humana.
Um porta-voz disse que a taxa de plutônio encontrada nesses locais era equivalente à detectada no
Japão após os testes atômicos realizados em países vizinhos como, por exemplo, a Coreia do Norte.
"As mostras colocaram em evidência a presença de plutônio 238, 239
e 240", precisou e "a concentração fraca não representa nenhum perigo
para a saúde", acrescentou.
Mais cedo, a Tepco havia informado que foi detectada água com alto
índice de radioatividade no exterior do edifício que abriga o reator 2
e sua turbina na central nuclear.
"Detectamos água acumulada em poços de um duto subterrâneo que
desemboca no exterior do edifício, com um nível de radioatividade
superior a 1.000 milisieverts por hora", declarou um porta-voz da
empresa.
Os poços ficam a 60 metros do Oceano Pacífico, e a água contaminada pode ter seguido até a margem.
A empresa também detectou água contaminada no exterior dos
edifícios dos reatores 1 e 3, mas com níveis de radioatividade muito
inferiores.
Moradora
é testada para índice de contaminação radioativa em abrigo de
desabrigados em Fukushima nesta segunda-feira (28) (Foto: AP)
Incêndios, explosões e vazamentos radioativos repetidos forçaram os
engenheiros a suspender os esforços para estabilizar a usina, incluindo
no domingo, quando os níveis de radiação chegaram a 100 mil vezes acima
do normal na água dentro do reator 2.
Um derretimento parcial de hastes de combustível dentro do
recipiente do reator foi responsável pelos altos níveis de radiação
naquele reator, embora o Secretário-Geral de Gabinete Yukio Edano tenha
dito que a radiação foi em grande parte contida no prédio do reator.
Segundo a agência Kyodo, diante da inquietação para controlar os reatores, a Tepco apelou às empresas francesas por ajuda.
O grupo ambientalista Greenpeace afirmou que seus especialistas
confirmaram níveis de radiação de até 10 microsieverts por hora em um
vilarejo 40 km a noroeste da usina, e pediu a ampliação da zona de
exclusão de 20 km.
"Claro que não é seguro permanecer em Iitate, especialmente
crianças e grávidas, quando isso significa receber a dose anual máxima
de radiação em alguns dias", disse o Greenpeace em um comunicado,
referindo-se ao vilarejo onde foi feita a medição.
Mais de 70 mil pessoas foram retiradas de uma área de 20 km da
usina e outras 130 mil dentro de uma zona que se estende por mais 10 km
foram aconselhadas a permanecer dentro de casa. Também foram
incentivadas a sair do local.
Abastecimento O ministério da Saúde do Japão
pediu às engarrafadoras de água em todo o país que suspendam o uso de
águas pluviais para evitar contaminações pelos resíduos radioativos da
central de Fukushima. Além disso, o ministério ordenou no fim de semana
aos distribuídores de água e estações de tratamento a cobertura dos
depósitos com uma lona para isolar os locais de uma possível radiação.
Também devem evitar o abastecimento de água dos rios logo após as chuvas.
Tóquio, cidade de 13 milhões de habitantes, e diversos municípios
próximos detectaram na semana passada um nível de iodo radioativo na
água de torneira superior ao limite recomendado para os bebês.
Na quarta-feira, os habitantes de Tóquio receberam a ordem de não
dar água de torneira aos bebês. Um dia depois a suspensão foi proibida.
O ministério da Saúde teme que as chuvas contenham elementos
radioativos da central de Fukushima, afetada pelo terremoto e tsunami
de 11 de março. A situação gerou a pior crise da história nuclear civil
do Japão.