Agência Câmara
Deputado federal Jair Bolsonaro (esq.) apresentou sua defesa à corregedoria da
Câmara nesta quarta-feira
O
deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) entregou nesta quarta-feira
(13) sua defesa contra as acusações de racismo e homofobia que enfrenta
na Câmara. Numa peça de 13 páginas, ele alega que entendeu de forma
errada a pergunta feita pela cantora Preta Gil durante o programa CQC,
da TV Bandeirantes, sobre como reagiria se seu filho namorasse uma
mulher negra.
No programa, ele respondeu que seus filhos não foram criados num
ambiente de promiscuidade. Depois da acusação, disse que pensou que a
pergunta era sobre casais gays.
- Eu sou casado com uma afrodescendente. Meu filho, por ser maior de
idade, poderia namorar qualquer pessoa, do sexo feminino, e desde que
não tivesse o comportamento da senhora Preta Gil, conforme está no blog
dela e em CDs, que são coisas que não posso falar em público em nome dos
bons costumes.
Em sua defesa, o deputado cita até o desafeto José Dirceu,
ex-deputado cassado após o escândalo do mensalão, em 2005. Bolsonaro irá
relembrar uma “pegadinha” que um jornal fez com vários deputados no
início dos anos 90, recolhendo assinaturas para um projeto que
reinstituía a escravidão e tornava o Brasil colônia de Portugal. Dezenas
assinaram sem ler.
O deputado preferiu não divulgar o documento, dizendo que iria seguir
determinação da Corregedoria de manter o processo em segredo. A partir
da entrega, o corregedor, Eduardo da Fonte (PP-PE) terá até 180 dias
para se posicionar e enviar, ou não, o caso ao Conselho de Ética,
colegiado de deputados com poder para punir o colega com advertências ou
até perda de mandato.
Sobre as chances de ser punido, Bolsonaro disse que não fez mal a
ninguém e pediu uma entrevista ao vivo no CQC para se explicar.
- Eu não fiz nada contra a Câmara, contra qualquer parlamentar. Foi
uma resposta dada a uma pergunta enviesada do CQC, e acho que eles devem
uma explicação.
O deputado aproveitou a repercussão do caso para criticar projetos do
governo que promovem a discussão da homossexualidade nas escolas,
chamando a iniciativa de “kit gay”. Também criticou propostas do
Congresso que criminalizam agressões contra homossexuais. Questionado se
admitia que fosse homofóbico, Bolsonaro relativizou.
- Se for a defesa da nossa garotada nas escolas ser um ato
considerado homofóbico, aí eu sou homofóbico. Se defender a família, os
bons costumes e a religião for homofóbico, então podem continuar me
chamando de homofóbico.