Talvez
muitos ainda não saibam, mas a população LGBT do Brasil pode contar com
um novo instrumento de promoção dos seus direitos, que é o Conselho
Nacional LGBT, criado por meio de decreto (7388) do ex-presidente Lula,
publicado em 9 de dezembro de 2010.
Composto por 30 integrantes (15 da sociedade civil e 15 do governo), o
Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de
Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - nome oficial - foi
empossado pela ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, na
quarta-feira (30). Foi uma reunião de dois dias, com vários pontos de
pauta importantes.
O Conselho é o espaço de interlocução entre o conjunto do governo
federal, especialmente da Secretaria de Direitos Humanos, mas também de
todos os ministérios, com o movimento LGBT e entidades da sociedade
civil organizada que trabalham com o combate à homofobia.
As principais funções do Conselho são participar da formulação e
elaboração das políticas que visam assegurar a igualdade para a
população LGBT; monitorar a implementação e execução do Plano Nacional
LGBT; colaborar na discussão sobre projetos de lei e participar da
organização das conferências nacionais.
Aliás, esse foi provavelmente o principal assunto dessa reunião. O
Conselho discutiu a minuta do decreto de convocação da 2.ª Conferência
LGBT (a primeira aconteceu em junho de 2008), definindo o tema e
apontando uma data. A realização da 2ª Conferência está prevista para o
período entre 15 a 18 de dezembro de 2011 e seu tema será: "Por um país
livre da pobreza e da discriminação: promovendo a cidadania LGBT". A
escolha do tema visa a sintonizar nossa pauta com a meta prioritária do
governo Dilma (erradicar a pobreza no Brasil), direcionando nosso olhar
para os segmentos mais vulneráveis da própria população LGBT,
especialmente travestis, mulheres, jovens, negros e negras, e outros.
Além disso, a Conferência vai avaliar o avanço das políticas públicas em
todo o Brasil, verificando a implantação do "tripé da cidadania LGBT"
(Coordenadorias, Planos e Conselhos) nos estados e capitais. O centro
também será realizar um balanço minucioso das ações previstas no Plano
Nacional LGBT. O quanto foi executado? Quais as dificuldades principais?
O que falta fazer? Os recursos orçamentários têm sido suficientes?
Aprovamos também uma nota pública condenando as declarações racistas e
homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O Conselho solicitou ao
Procurador Geral da República instauração de investigação para apurar os
crimes de racismo e injúria contra a população LGBT.
Outros ponto importante foi a discussão sobre a retomada do
funcionamento dos grupos de trabalho de cada ministério, que tratam da
implementação das ações previstas no Plano Nacional LGBT. O Conselho
também discutiu o Projeto Escola Sem Homofobia, do âmbito do MEC, e
aprovou uma moção manifestando seu apoio ao mesmo, cobrando a
distribuição dos kits contra a homofobia nas escolas brasileiras.
Uma novidade superinteressante foi a transmissão on-line da reunião,
viabilizada pelo Ministério da Saúde-Departamento Nacional DST/Aids,
permitindo que centenas de ativistas acompanhassem os debates. O
sistema, que só comportava 500 acessos simultâneos, atingiu capacidade
máxima. Um caminho interessante, que desenha novas possibilidades de uso
das tecnologias a favor da participação social.
O Conselho, que terá três câmaras técnicas, é presidido pelo Secretário
Nacional de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da SDH, Ramais
Silveira. A vice-presidência é da sociedade civil. Quem nos representa é
a Irina Bacci, secretária-geral da ABGLT, que, no Conselho, representa a
ABL (Articulação Brasileira de Lésbicas).
Muitos pontos de pauta importantes ficaram para a próxima reunião como a
questão do Disque 100 e da campanha "Faça o Brasil um território livre
da homofobia", além do debate sobre o regimento interno do Conselho. A
próxima reunião será nos dias 19 e 20 de maio.
Que esse novo instrumento de controle social e participação democrática
possa ser um espaço de avanço da pauta da igualdade e da cidadania
plena. Uma trincheira poderosa na resistência à homofobia tão arraigada
em nosso país.