Vaccarezza era cotado para assumir a vaga da coordenação
política e, ao lado de Dilma e Ideli, foi condecorado na sexta
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP),
perdeu nesta sexta-feira (10) para a ex-senadora Ideli Salvatti a disputa que
travou nos bastidores para assumir a Secretaria de Relações Institucionais.
Esta é a segunda derrota que o petista amarga este ano, porque, sem sucesso, tentou
emplacar sua candidatura para presidente da Casa em fevereiro.
O nome de Vaccarezza começou a circular pelos corredores do
Congresso tão logo o ex-ministro Antônio Palocci saiu da Casa Civil, nesta
terça-feira (7). A escolha de Gleisi Hoffmann para o cargo mostrou que a função
de articulação política migraria para a Relações Institucionais, daí a
necessidade de substituir Luiz Sérgio, considerado de pouco trânsito no
Congresso.
Desde então, Vaccarezza foi se tornando forte candidato.
Antes mesmo do anúncio da saída de Sérgio, o líder já havia garimpado apoio no
PTB, PDT, PMDB, PCdoB e PSB. Ele chegou a reunir-se com o presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP), e com o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), em busca de
suporte para o pleito.
Questionado, porém, o petista negou durante toda a semana
que estaria cotado para a pasta de Relações Institucionais. Em entrevista na
quinta-feira (9), ele chegou a se mostrar “constrangido”.
- Para mim é um constrangimento alguém levantar o meu nome
como candidato a ministro.
Nesta sexta-feira (10), depois que a presidente Dilma
Rousseff anunciou a troca de Ideli com Luiz Sérgio – que agora passa a chefiar
a pasta da Pesca e Aquicultura -, Vaccarezza foi protocolar em sua declaração:
“parabenizo Ideli pela escolha”.
- Eu farei o que estiver ao meu alcance para ajudar no
trabalho com a Câmara. Ela tem capacidade e experiência.
Questionado se a escolha o decepcionava, limitou-se a dizer
que aprova e sempre aprovará “todas as escolhas da presidente Dilma”.
O nome de Ideli desagrada não apenas Vaccarezza, mas toda a
bancada do PT na Câmara, a quem a vaga pertencia. O presidente Marco Maia
divulgou uma nota sucinta saudando a escolha de Dilma.
- À ministra Ideli Salvatti, cuja experiência parlamentar é
reconhecida nacionalmente, coloco-me à disposição, desde já, para iniciarmos as
conversas necessárias.
Segunda derrota
A perda da pasta de Relações Institucionais não foi a
primeira derrota de Vaccarezza este ano. Dentro do seu próprio partido, acabou
perdendo a preferência para disputar a presidência da Câmara para Marco Maia
(PT-RS), em janeiro.
A disputa entre Vaccarezza e Maia deu-se, basicamente, por
causa de uma divisão na CNB (Construindo um Novo Brasil), corrente ideológica
majoritária do PT, a mesma do presidente Lula. Parte ficou com Maia e outra com
Vaccarezza.
A vitória de Maia foi consagrada quando Arlindo Chinaglia
(SP), que também estava no páreo, abriu mão da disputa e passou apoiá-lo.
Somou-se ainda o apoio do grupo do líder do PT, Paulo Teixeira (SP).
Nesta sexta-feira (10), o tucano Duarte Nogueira (PSDB-SP)
lembrou do episódio e provocou a base aliada dizendo que o nome de Ideli
frustra as expectativas do próprio PT.
- A escolha frustra as expectativas do próprio PT, porque
esperavam emplacar o líder Cândido Vaccarezza, e Arlindo Chinaglia na
liderança. Então isso demonstra que o diálogo foi muito mais interno no Palácio
do que do Palácio com o Congresso Nacional.
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