Jovens vestidos com roupas moderníssimas, brilho nos jeans,
tênis de último tipo e unhas cuidadosamente feitas misturam-se a cartazes com
os rostos de Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos dos tempos em que
lideraram a Revolução Cubana, em 1959. A juventude de Cuba do século 21 parece
guiada pela expectativa de mudança, mas ainda é rodeada pelas incertezas que
cercam essas perspectivas.
Formado em história com especialização em assuntos de Cuba,
Reynaldo Castillos se viu obrigado a trabalhar em um hotel da capital. Segundo
ele, recebe mais vendendo cartões-postais e falando sobre a história de Cuba
para turistas do que em sala de aula. “Estou feliz. Está tudo bem”, disse,
desconversando sobre eventuais angústias ou dilemas.
Oficialmente, o governo diz que 16% dos 12 milhões de
habitantes têm acesso à internet. Mas a prática mostra que a realidade é outra:
nos lugares públicos onde há computadores, o acesso é limitado a duas horas por
dia, sendo que há vários sites proibidos, como o Facebook e o Twitter, além de
servidores.
“O bloqueio na internet é imposto pelos Estados Unidos, como
o acesso ao Twitter e até ao Facebook”, disse a jornalista Rosa Miriam
Elizarde, editora do Cubadebate, site oficial do governo, e estudiosa dos
noticiários online. De acordo com ela, os sites bloqueados pelo governo são
aqueles que têm conteúdo “contrarrevolucionário” e com intenção de “contaminar
o sistema”.
O acesso aos meios de comunicação é uma realidade difícil
para os cubanos. A exceção fica com os aparelhos de televisão – em todas as
casas há pelo menos um. Há emissoras que transmitem programas em chinês, por
causa de uma parceria entre Cuba e China, além da ACN que é exclusivamente de
notícias e outras de variedades.
As novelas brasileiras dubladas para o espanhol são uma
febre em Cuba. Atualmente estão no ar Sinhá Moça – que retrata o período da
escravidão no Brasil – e Paraíso – que fala do fanatismo religioso. As novelas
influenciam, inclusive, na escolha de nomes dos bebês. Recentemente surgiu uma
geração de Tiago por causa dos episódios transmitidos pela televisão.
Os cubanos ainda convivem com as dificuldades de usar o
telefone no país. A opção para maior parte das pessoas são os orelhões,
espalhados nos mais diferentes locais das cidades. Alguns cubanos têm telefones
celulares. De acordo com relatos, ter um aparelho celular é indicação de status
social.
Independentemente dos avanços da tecnologia, os jovens
cubanos ainda se apegam às antigas tradições e não escondem suas crenças, como
na la santería - religião de origem africana que se assemelha ao candomblé,
cultuando os orixás, homenageando os antepassados e com ritos de incorporação.
Segundo os jovens, a abertura política permitiu que todos se
sintam mais à vontade para professar sua fé. Em Cuba, é comum que nas casas, a
exemplo do Brasil, tenham quadros com imagens católicas e de orixás. Mas as
dificuldades econômicas afetam também os cultos religiosos.
“É muitíssimo caro se preparar para a Santería. É necessário
comprar várias coisas que nos mandam e por causa do momento, de restrições, que
vivemos no país, isso fica mais caro ainda. Então espero um momento melhor”,
disse a garçonete María Peña, referindo-se ao adiamento de seu ingresso como
filha de santo. “Agora tenho um bebê, então tenho mais gastos.”
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